sexta-feira, 29 de junho de 2012

terça-feira, 26 de junho de 2012

Velho Nada! Governinho é de bosque!

O governo Dilma parece velho
MARCO ANTONIO VILLA

O GLOBO - 26/06/2012


O governo Dilma Rousseff completa 18 meses. Acumulou fracassos e mais fracassos. O papel de gerente eficiente foi um blefe. Maior, só o de faxineira, imagem usada para combater o que chamou de malfeitos. Na história da República, não houve governo que, em um ano e meio, tenha sido obrigado a demitir tantos ministros por graves acusações de corrupção.

Como era esperado, a presidente não consegue ser a dirigente política do seu próprio governo. Quando tenta, acaba sempre se dando mal. É dependente visceralmente do seu criador. Está satisfeita com este papel. E resignada. Sabe dos seus limites. O presidente oculto vai apontando o rumo e ela segue obediente. Quando não sabe o que fazer, corre para São Bernardo do Campo. A antiga Detroit brasileira virou a Meca do petismo. Nunca tivemos um ex-presidente que tenha de forma tão cristalina interferido no governo do seu sucessor. Lembra o que no México foi chamado de Maximato (1928-1934), quando Plutarco Elias Calles foi o homem forte durante anos, sem que tenha exercido diretamente a presidência. Lá acabou numa ruptura. Em 1935 Lázaro Cárdenas se afastou do "Chefe Máximo" da Revolução. Aqui, nada indica que isso possa ocorrer. Pelo contrário, pode ser que em 2014 o criador queira retomar diretamente as rédeas do poder e mande para casa a criatura.

O PAC - pura invenção de marketing para dar aparência de planejamento estatal - tem como principal marca o atraso no cronograma das obras, além de graves denúncias de irregularidades. O maior feito do "programa" foi ter alçado uma desconhecida construtora para figurar entre as maiores empreiteiras brasileiras. De resto, o PAC é o símbolo da incompetência gerencial: os conhecidos gargalos na infraestrutura continuam intocados, as obras da Copa do Mundo estão atrasadas, o programa "Minha Casa, Minha Vida" não conseguiu sequer atingir 1/3 das metas.

O Nordeste é o exemplo mais cristalino de como age o governo Dilma. A região passa pela seca mais severa dos últimos 30 anos. A falta de chuva já era sabida. Mas as autoridades federais não estavam preocupadas com isso. Pelo contrário. O que interessava era resolver a partilha da máquina estatal na região entre os partidos da base. Duas agências foram entregues salomonicamente: uma para o PMDB (o DNOCS) e outra para o PT (o Banco do Nordeste). E a imprensa noticiou graves desvios nos dois órgãos, que perfazem quase 300 milhões de reais. A "punição" foi a demissão dos gestores. Enquanto isso, desejando mostrar alguma preocupação com os sertanejos, o governo instituiu a bolsa-seca, 80 reais para cada família cadastrada durante 5 meses, perfazendo 400 reais (o benefício será extinto em novembro, pois, de acordo com a presidente, vai chover na região e tudo, magicamente, vai voltar ao normal). Isto mesmo, leitor. Esta é a equidade petista: para os mangões, tudo; para os sertanejos, uma esmola.

Greves pipocam pelo serviço público. As promessas de novos planos de carreiras nunca foram cumpridas. A educação é o setor mais caótico. Não é para menos. Tem à frente o ministro Aloizio Mercadante. Quando passou pelo Ministério da Ciência e Tecnologia nada fez. Só discursou e fez promessas. E as realizações? Nenhuma. Mercadante lembra Venceslau Braz. Durante o quadriênio Hermes da Fonseca, Venceslau foi um vice-presidente sempre ausente da Capital Federal. Vivia pescando em Itajubá. Quando foi alçado à presidência da República, o poeta Emílio de Menezes comentou sarcasticamente: "É o único caso que conheço de promoção por abandono de emprego." Mercadante é um versão século XXI de Venceslau. O sistema federal de ensino superior está parado e vive uma grave crise. O que ele faz? Finge que nada está acontecendo. Quando resolve se manifestar, numa recaída castrense, diz que só negocia quando os grevistas voltarem ao trabalho.

A crise econômica mundial também não mereceu a atenção devida. Como o governo só administra o varejo e não tem um projeto para o país, enfrenta as turbulências com medidas paliativas. Acha que mexendo numa alíquota resolve o problema de um setor. Sempre a política adotada é aquela mais simples. Tudo é feito de improviso. É mais que evidente que o modelo construído ao longo das últimas duas décadas está fazendo água (e não é de hoje). É necessário mudar. Mas o governo não tem a mínima ideia de como fazer isso. Prefere correr desesperadamente atrás do que considera uma taxa de crescimento aceitável eleitoralmente. É a síndrome de 2014. O que importa não é o futuro do país, mas a permanência no poder.

Na política externa, se é verdade que Patriota não tem os arroubos juvenis de Amorim, o que é muito positivo, os dez anos de consulado petista transformaram a Casa de Rio Branco em uma espécie de UNE da terceira idade. A política externa está em descompasso com as necessidades de um país que pretende ter papel relevante na cena internacional. O Itamaraty transformou-se em um ministério marcado por derrotas. A última foi na Rio+20, quando, até por ser a sede do evento, deveria exercer não só um papel de protagonista, como também de articulador. A nossa diplomacia perdeu a capacidade de construir consensos. Assimilou o "estilo bolivariano", da retórica panfletária e vazia, e, algumas vezes, se tornou até caudatária dos caudilhos, como agora na crise paraguaia.

O governo Dilma parece velho, sem iniciativa. Parodiando o poeta: todo dia ele faz tudo sempre igual. E saber que nem completou metade do mandato. Pobre Brasil.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

UNE, defensora de facínoras

Quando a bandeira na UNE não cobre a malversação de dinheiro público, está endossando a repressão, a violência e a morte. Faz sentido!

Vejam esta foto.
ira-enforcamentos

No post anterior, vocês leram que um grupo de esquerdistas foi tomar café da manhã com Mahmoud Ahmadinjead, o ditador terrorista e sanguinário (parece caricatura do Casseta & Planeta, mas é tudo verdade). Ele ganhou até uma bandeira da UNE de presente. A partir de agora, o símbolo da entidade estudantil brasileira foi convertido na corda que enforca os esquerdistas iranianos, os cristãos iranianos, os democratas iranianos, os homossexuais iranianos, todos aqueles, enfim, que o regime mandou e manda ainda para a morte em nome daquele "Deus Único" que o ditador exaltou em seu discurso na "Rio+20″. Um delinquente que toca um programa nuclear secreto e que tem o declarado intuito de varrer um outro país do mapa ser convidado para um evento como esse diz muito, lamento, da seriedade do encontro. Sigamos.
Que estranho mundo este, não é mesmo? Posts abaixo, publico duas fotos da manifestação que pastores evangélicos organizaram contra a presença de Admadinejad no Brasil. Eles cobram do presidente do Irã a libertação de Yousef Nadarkhani, condenado à morte por ter-se convertido ao cristianismo. A iniciativa é do pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, atacado por certos "progressistas" porque crítico da tal PL 122, a lei que pune a homofobia. Não porque pregue discriminação contra homossexuais, é evidente, mas porque entende o óbvio: o texto pratica uma espécie de discriminação às avessas (não vou entrar nesse mérito agora porque já escrevi bastante a respeito).
No Irã, homossexuais são enforcados em praça pública. Seus corpos são pendurados em guindastes para servir de exemplo. É o que se vê na foto lá do alto. Oficialmente, e Ahmadinjad declara isso, não há gays no país — a não ser aqueles que se deixam seduzir pelas ideias erradas do… Ocidente! Entenderam? Também não há comunistas. A revolução islâmica os liquidou a todos. A esquerda iraniana ajudou a depor o xá Reza Pahlevi e foi parte ativa da revolução islâmica, mas seus representantes lideraram a fila das execuções.

A tara dos esquerdistas pela tirania religiosa iraniana é antiga. Um delinquente intelectual muito influente como Michel Foucault, ainda apreciado na periferia intelectual do complexo PUCUSP, cantou as glórias de aiatolá Khomeini e seus bravos de maneira miserável. Se vocês quiserem detalhes, leiam o livro "Foucault e a Revolução Iraniana", de Janet Afary e Kevin B. Andersonh, publicado no Brasil pela editora "É Realizações". O livro reproduz trechos de uma entrevista que ele concedeu a dois jornalistas franceses do Libération. Num dado momento, tomado do que costumo chamar de "estupidez dialética", observou sobre a revolução islâmica:
"Havia demonstrações, verbais pelo menos, de um antissemitismo virulento. Havia demonstrações de xenofobia, e não apenas contra os americanos, mas também contra trabalhadores estrangeiros que tinham ido trabalhar no Irã. O que dá ao movimento iraniano sua intensidade tem sido um registro duplo. De um lado, uma vontade coletiva que tem sido muito fortemente expressada politicamente, e, de outro, o desejo de uma mudança radical na vida comum. Mas essa afirmação dupla só pode ser baseada nas tradições, instituições que carregam uma carga de chauvinismo, nacionalismo, exclusivismo, que eram uma atração muito poderosa para os indivíduos".

Viram só? Foucault, o homem que estudou a microfísica do poder", o pensador que buscava decupar as estruturas autoritárias vigentes no regime democrático burguês, via com olhos mais do que benevolentes — verdadeiramente entusiasmados — as balizas reacionárias da revolução iraniana. Foucault (1926-1984) era gay, o que nunca admitiu claramente, e morreu de AIDS em 1984. No Irã, teria morrido muito antes, vítima da "revolução" cujas glórias cantou. Não foi o único cretino ocidental a se encantar com a tirania religiosa, mas foi o mais festivo, o mais entusiasmado, o mais ousado na estupidez.

Os bastardos brasileiros que foram ouvir o ditador e que lhe fizeram salamaleques pertencem, de algum modo, à mesma cadeia de equívocos que foi integrada por Foucault. Veem em Ahmadinejad o líder de um país que, oh!!!, teria ousado enfrentar o imperialismo e, quem sabe?, os "preconceitos da razão" do mundo ocidental. Também eles devem achar que do antissemitismo, do chauvinismo e da xenofobia se pode fazer algo de interessante…

Vergonha
Sinto por esses caras a vergonha que eles não têm. Tivesse um mínimo de pudor, essa gente estaria protestando contra a perseguição a que Ahmadinejad submete a esquerda em seu país. O PT não promoveria tal ato porque parceiro do asqueroso, mas cadê os "psois" da vida? Onde estão os movimentos de homossexuais do Brasil para se juntar a Malafaia — sim, junta-se a Malafaia nesse caso! — para protestar contra a brutalidade de que são vítimas seus iguais no Irã? Cadê o buliçoso deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ)? Cadê a manifestação dos oposicionistas brasileiros, tucanos e democratas especialmente, que têm o dever moral de expressar seu repúdio, dada a intimidade do petismo com o facinoroso? Nada!

Quanto à UNE, que deu uma bandeira de presente a Ahmadinejad, dizer o quê? Quando aquele pano não está cobrindo a malversação de dinheiro público, está endossando a repressão, a violência e a morte. Alguém esperaria muito mais, ou menos, dessa gente?

Mensalão? Que mensalão?

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A vingança maligna de Maluf (Editorial do Estadão)

A vingança maligna de Maluf
(Editorial do Estadão)


Perto das imagens que estavam ontem na primeira página dos principais jornais do País, o fato de o PT de Lula ter ido buscar o apoio do PP de Paulo Maluf à candidatura do ex-ministro da Educação Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo chega a ser uma trivialidade. O chocante, pela abjeção, foi o líder petista se dobrar à exigência de quem ele já chamou de "ave de rapina" e "símbolo da pouca-vergonha nacional", indo à sua casa em companhia de Haddad, e posar em obscena confraternização, para que se consumasse o apalavrado negócio eleitoral.

Contrafeito de início, Lula logo silenciou os vagidos íntimos de desconforto que poderiam estragar os registros de sua rendição e cumpriu o seu papel com a naturalidade necessária, diante dos fotógrafos chamados a documentar o momento humilhante: ria e gesticulava como se estivesse com um velho amigo, enquanto o anfitrião, paternal, afagava o candidato com cara de tacho. Da mesma vez em que, já lá se vão quase 20 anos, colocou Maluf nas "nuvens de ladrões" que ameaçavam o Brasil, Lula disse que ele não passava de "um bobo alegre, um bobo da corte, um bufão". Nunca antes - e talvez nunca depois - o petista terá errado tanto numa avaliação.

Criatura do regime militar, desde então com uma falta de escrúpulos que o capacitaria a fazer o diabo para satisfazer as suas ambições de poder, prestígio e riqueza, Maluf aprendeu a esconder sob um histrionismo não raro grotesco a sua verdadeira identidade de homem que calculava. As voltas que o País deu o empurraram para fora do proscênio - menos, evidentemente, no palco policial -, mas ele soube esperar a ocasião de mostrar ao petista quem era o bobo alegre. A sua vingança, como diria o inesquecível Chico Anísio, foi maligna. Colocou de joelhos não o Lula que desceu do Planalto para se jogar nos braços do povo embevecido, deixando lá em cima a sucessora que tirara do nada eleitoral, mas o Lula recém-saído de um câncer e cuja proverbial intuição política parece ter-se esvanecido.

Nos jardins malufistas da seleta Rua Costa Rica, anteontem, o campeão brasileiro de popularidade capitulava diante não só de sua bête noire de tempos idos, mas principalmente da patologia da sua maior obsessão: desmantelar o reduto tucano em São Paulo, primeiro na capital, na disputa deste ano, depois no Estado, em 2014, para impor a hegemonia petista ao País com a reeleição da presidente Dilma ou - por que não? - a volta dele próprio ao Planalto, "se a Dilma não quiser". Lula não é o único a acreditar que, em política, pecado é perder. Mas foi o único a dizer, em defesa das alianças profanas que fechou na Presidência, que, se viesse a fazer política no Brasil, Jesus teria de se aliar a Judas.
Não se trata, portanto, de ficar espantado com a disposição de Lula de levar a limites extravagantes o credo de que os fins justificam os meios. O que chama a atenção é a sua confiança nos superpoderes de que se acha detentor, graças aos quais, imagina, conseguirá dar a volta por cima na hora da verdade, elegendo Haddad e sufocando a memória da indecência a que se submeteu. Não parece passar por sua cabeça que um número talvez decisivo de eleitores possa preferir outros candidatos, não pelo confronto de méritos com o petista, mas por repulsa à genuflexão de seu patrono perante a figura que representa o que a política brasileira tem de pior.

Lula talvez não se dê conta de que a maioria das pessoas não é como ele: respeita quem se respeita e despreza os que se aviltam, ainda mais para ganhar uma eleição. Ele tampouco se lembrou de que, em São Paulo - berço do PT -, curvar-se a Maluf tem uma carga simbólica incomparavelmente mais pesada do que adular até mesmo um Sarney, por exemplo. Não se iluda o ex-presidente com o recuo da companheira de chapa do candidato, a ex-prefeita Luiza Erundina, do PSB. Ontem ela desistiu da candidatura a vice, como dera a entender na véspera ao dizer que "não aceitava" a aliança com Maluf. Razões outras que não o zelo pela própria biografia podem tê-la compelido, no entanto, a continuar apoiando Haddad. Já os eleitores de esquerda são livres para recusar-lhe o voto pela intolerável companhia.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Olá, Coronel !!!

Só para meu amigo Coronel saber que fui eu mesmo quem o questionou.

Abraços da trincheira,
O Dia da Ira

quinta-feira, 31 de maio de 2012

A arquitetura ridícula modernista

Vamos demolir aquele horrendo hotel do Niemeyer que não combina com nada em Ouro Preto???




***


EUA: demolição ou preservação de prédios modernos "feios"?

de O Globo com informações do The New York Times
GOSHEN - Com o passar dos anos, construções que representaram a vanguarda aquitetônica modernista começam a apresentar sinais de cansaço. Suas formas rígidas chegam a provocar estranhamento em alguns. E também a despertar debates, nos Estados Unidos, entre preservacionistas — que as enxergam como marcos históricos — e grande parte da população, que só as veem como obras feias. De acordo com reportagem publicada no The New York Times, o conflito surgiu recentemente no singular vilarejo de Goshen, situada a 95 quilômetros ao norte da cidade de Nova York, onde o prédio do governo do condado, projetado pelo celebrado arquiteto modernista Paul Rudolph, sempre esteve um tanto deslocado.
— Só não acho que ele combina com a personalidade do condado e da vila de Goshen — disse Leigh Benton, um legislador do município de Orange que cresceu na região. — Sempre achei que ele era um prédio grande e feio.
Finalizado em 1967, o prédio vem desde então se deteriorando devido aos vazamentos no teto, a um sistema de ventilação precário e, mais recentemente, ao mofo. Por fim, a construção foi fechada no ano passado, depois de ter sido avariada por tempestades, inclusive a tropical Irene.
Edward A. Diana, executivo da comarca de Orange, quer demolir o prédio, uma ideia que agrada muitos moradores, mas deixa em alerta os preservacionistas — não só locais como do país todo —, que afirmam que o prédio deve ser preservado. A legislatura do condado deve decidir pela demolição ou pela reforma dele, que começaria este mês.
Os que querem salvá-lo dizem que ele é um exemplo fundamental de um estilo arquitetônico chamado Brutalismo, que rejeita esforços para embelezar as construções em favor da exibição do poder cru das formas simples e dos materiais de construção exibidos de modo franco, como a fachada texturizada do centro governamental.
— A preservação não pode acontecer exclusivamente com as coisas bonitas — diz Mark Wigley, reitor da Faculdade de Arquitetura, Planejamento e Preservação de Columbia. — Trata-se de salvar aquelas construções que são parte importante de nossa história e cujos valores sempre serão objetos de debate.
Debate em Chicago
Um debate semelhante está acontecendo em Chicago, onde preservacionistas vêm lutando para salvar o Prentice Women's Hospital, uma estrutura de concreto em forma de trevo, projetada em 1974 por Bertrand Goldberg, que o National Trust for Historic Preservation (Departamento Nacional de Proteção do Patrimônio Histórico) acrescentou à sua lista de prédios em risco. Em New Haven, Connecticut, o "Veterans Memorial Coliseum", de 1972, foi demolido em 2007 apesar da campanha pela sua salvação.
Na cidade de Nova York, o prédio em forma de pirulito construído por Edward Durell Stone escapou da demolição, mas sofreu uma reforma em 2008 que acabou com sua fachada original.
Preservar construções charmosas dos séculos XVIII e XIX pode ser um esforço; convencer as pessoas a manter estruturas mais recentes e definitivamente "feias", construídas entre os anos 1950 e 70 pode ser uma batalha de magnitude ainda maior, especialmente se elas possuírem vazamentos.
— O fenômeno de um prédio com 30 ou 40 anos de idade estar severamente fora de moda, fazendo com que pessoas queiram alterá-lo ou demoli-lo, é muito real — afirma Frank Sanchis, diretor dos programas americanos no World Monument Fund, sobre o centro de governo do condado de Orange. O fundo colocou o prédio de Goshen na lista de observação em 2012.
Brutalismo em cena
As opiniões são ainda mais fortes quando falamos sobre Brutalismo, um estilo associado ao arquiteto suíço Le Corbusier, que costuma produzir monólitos, como a sede do FBI em Washington e a prefeitura de Boston.
Em entrevista, Theodore Dalrymple, do Manhattan Institute, que havia escrito sobre a arquitetura de Le Corbusier, descreveu as construções brutalistas como "absolutamente horrendas, como se fossem um bombril na retina."
— Um desses prédios pode destruir toda a vista da cidade que foi construída ao longo de centenas de anos — afirma.
Barry Bergdoll, o curador chefe de arquitetura e design do Museu de Arte Moderna, acrescenta:
— O brutalismo devia trazer de volta tudo que remete ao ofício — o concreto não foi aplainado, pode-se sentir a mão do trabalhador ali. Mas ele foi percebido quase que de modo oposto. É uma das grandes falhas nas relações públicas de todos os tempos. A maioria das pessoas vê a arquitetura brutalista literalmente: agressiva, pesada, agourenta e repulsiva.
Rudolph, que faleceu em 1997, foi um arquiteto modernista notável que também projetou o prédio de Arte e Arquitetura de Yale, entre outros. Historiadores da área dizem que o centro de governo de Goshen, que possui cubos ressaltados e uma fachada de concreto enrugado que lembra veludo cotelê, representa o melhor momento de Rudolph.
— Eu identificaria este prédio facilmente como um de seus top 10 - diz Sean Khorsandi, diretor da Fundação Paul Rudolph.
Benton, o legislador do condado, chamou-o de "um monumento mundial à ineficiência". Cada grupo tem sua estimativa de quanto vai custar para renovar o centro – o departamento de preservação estima US$ 35 milhões, a prefeitura diz US$ 64 milhões. Por US$20 milhões adicionais, dizem os oficiais da prefeitura, eles poderiam construir um novo centro (provavelmente tradicional) e fariam melhorias em vários outros prédios do governo, pois os escritórios que estavam no centro foram espalhados pela região.
— Sou uma pessoa bastante moderna quando falamos em arquitetura e pintura. Se o prédio funcionasse como deveria e fosse eficiente e eficaz, eu o deixaria como está — disse Diana, o executivo da prefeitura.
Economias à parte, muitos dizem que o prédio de Rudolph simplesmente nunca pertenceu a Goshen, nem nunca pertencerá. "Ele está muito deslocado", disse Barbara Hatfield, residente há anos no local. "Goshen é o centro do condado. Há muita história neste lugar."
Mas outros argumentam que o prédio também faz parte da história da área.
— Ele reflete um retrato da época, do final dos anos 1960 e começo dos 70, quando nossa história era turbulenta — defende Patricia Turner, estagiária de arquitetura que quer salvar o edifício. — Ele não é tão relevante quanto algo que aconteceu em 1968?
John Hildreth, vice-presidente do National Trust, disse que o gosto na arquitetura muda ao longo dos tempos e, por isso, pode mudar novamente.
— Houve uma época em que as pessoas não estavam preocupadas com a salvação de casas vitorianas, bangalôs, prédios Art Déco... não eram os estilos favoritos de então. É preciso focar no significado do edifício e não em seu estilo, porque estilos vêm e vão. Estamos em um momento onde avaliamos o passado recente e discutimos a respeito daquilo.
Historiadores também afirmam que a apreciação da arquitetura requer estudo.
— É como alguém dizer que não gosta de Pollock porque ele espirrava a tinta — disse Nina Rappaport, presidenta da Docomomo-New York/ Tri-State, uma organização que promove a preservação da arquitetura modernista. — Isso significa que não devíamos deixá-lo no museu? Não, significa que ensinamos as pessoas sobre essas coisas.
Mas Dalrymple afirma que a noção de que o público precisa ser educado a apreciar o Brutalismo é como dizer que as pessoas precisam "ser intimidadas por conta de seu gosto". Não é preciso ser um perito para decidir se um prédio é feio ou não, afirmou, acrescentando:
— É um julgamento estético.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Acorda, Lewandowiski!!!



Texto retirado do blog do Augusto Nunes:

Apaixonado pelo personagem que inventou, Lula embarca na gabolice em reuniões com os companheiros, negociações com aliados ou conversas com o porteiro do prédio onde mora. Graças à loquacidade do falastrão vaidoso, sabe-se agora que o protetor de pecadores assumiu o posto de lobista-chefe da quadrilha do mensalão desde que deixou o Palácio do Planalto. Leia o que escreveu em seu blog, nesta terça-feira, no blog da jornalista Cristiana Lobo:

A preocupação de Lula com o julgamento do caso do Mensalão, conhecida de todos no mundo político, aumentou com a chegada de 2012 – ano do julgamento e, ainda, coincidindo com as eleições municipais nas quais o PT deposita grandes esperanças de crescer, particularmente, em São Paulo, antigo território adversário. Foi a partir daí que ele incluiu o assunto em sua agenda prioritária do ano.Fiel a seu estilo de falar muito e revelar seus passos políticos, mesmo aqueles que exigem maior discrição, Lula contou o desejo de visitar o ministro Ricardo Lewandowiski, ministro-revisor do relatório do Mensalão, um amigo de sua família. E assim fez. No começo do ano, acompanhado do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, ele foi à casa de Lewandowski e, conversa-vai-conversa-vem, chegou ao assunto: quando será julgado o mensalão? Sua preocupação central…Depois dessa conversa Lula passou a explicitar aos amigos políticos grande preocupação com a dificuldade de se deixar o julgamento para o ano que vem, Ele diz abertamente que considera inconveniente o julgamento do caso este ano. Com elogios à casa de Lewandowski, num condomínio chique de São Bernardo, Lula relatou a um aliado a pressão que o ministro vem sofrendo para apresentar logo o seu voto-revisor. E mais: o temor de que essa pressão de opinião pública possa afetar o conjunto do julgamento. Este é Lula. Por bravata ou relatando a realidade, ele conta a amigos os seus passos, até mesmo uns que deveriam ser inconfessáveis, como uma visita a um ministro do Supremo Tribunal Federal no ano do julgamento mais importante para sua história política – o caso que marcou negativamente o seu primeiro mandato. Lewandowski ensaiou negar a conversa com Lula. Mas, diante dos detalhes da conversa – a companhia do prefeito e os elogios à casa – ele sorriu e disse: "ele é amigo da família". De fato, a mulher de Lula, Marisa Letícia, foi amiga da mãe do ministro, falecida ano passado.

É muita desfaçatez. Além de confirmar a essência da conversa de Lula com Gilmar Mendes, o texto  acima reproduzido prova que um ex-presidente da República exerce pelo menos desde janeiro o ofício de achacador de ministros do Supremo. E explica por que Ricardo Lewandowski foi tão longe nas manobras forjadas para adiar o julgamento do mensalão. Se desse mais importância ao Estado de Direito, se soubesse rechaçar o assédio de pedintes influentes, o revisor do processo já teria entregue o relatório há muito tempo. O atraso deliberado resultou no episódio que começa a transformar-se em crise institucional.

O julgamento dos mensaleiros já demorou demais. Caso não cumpra seu dever nas próximas horas, Lewandowski transformará a toga de ministro do Supremo na fantasia que disfarça um ministro do Lula.A exasperante insistência em algemar o tempo e bloquear o avanço da Justiça pode ser a gota que fará transbordar o pote até aqui de náusea.