segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Texto do Augusto que me fez pensar

Do Augusto Nunes
http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/a-oposicao-real-tem-mais-de-40-milhoes-de-votos-faltam-lideres-sem-medo-e-um-partido-que-enfrente-o-governo-o-tempo-todo/

A anedótica impontualidade, que desde sempre o faz chegar atrasado a todos os compromissos, acabou contaminando o calendário político e subvertendo o relógio eleitoral de José Serra. O candidato à Presidência da República demorou demais para entrar oficialmente na disputa, para concentrar-se na campanha, para costurar a coligação nacional, para montar as alianças regionais ou para decidir quem seria o vice. Nesta quinta-feira, ao aparecer no Senado depois de três semanas de sumiço (e depois da hora marcada), confirmou que vai terminar o ano como começou: chegando à estação quando o trem já partiu.

Em público, Serra assumiu (com 25 dias de atraso) a responsabilidade pela derrota. "A culpa sempre é do candidato", reconheceu na primeira linha do mea culpa revogado pelo que disse em encontros reservados com senadores tucanos. A soma das conversas informa que Serra divide a culpa pelo fracasso entre o rolo compressor do governo federal e o desinteresse de companheiros de partido pela eleição presidencial. Ressentido com o que qualifica de "traições", a maior das quais imagina ter sido protagonizada por Aécio Neves, quer ser compensado com a presidência nacional do PSDB.

Colecionador de bons desempenhos como deputado federal, senador, secretário de Estado, ministro, prefeito e governador, é compreensível que Serra recuse a aposentadoria. Também é aceitável que atribua à própria força eleitoral uma parcela considerável dos votos obtidos em 31 de outubro. É natural, enfim, que não se sinta forçado a abandonar a vida pública por uma derrota: a morte política nunca ocorre antes da morte física. O incompreensível, o inaceitável, o antinatural é perceber que a ficha ainda não caiu. Alguma alma caridosa precisa contar-lhe que nenhum candidato com chances de conquistar a presidência foi tão indiscutivelmente culpado pela própria derrota.

"Cada um tem um estilo e Serra foi fiel ao estilo dele: define uma linha e, aconteça o que acontecer, vai em frente", resumiu com a habitual elegância o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na entrevista publicada pela Folha em 2 de novembro. Resumo da ópera: fora o marqueteiro Luiz Gonzalez, o candidato da oposição oficial não consultou ninguém, não pediu um só conselho a quem quer que seja. Fez questão de errar sozinho — e só não cometeu mais erros por falta de tempo.

Ao abortar a ideia das prévias partidárias, por exemplo, perdeu quaisquer chances de ter Aécio Neves como vice. Ao contemplar o legado de FHC com o olhar deliberadamente vesgo do inimigo, enxergou um problema onde sempre existiu, mais que uma solução, o maior trunfo eleitoral dos oposicionistas. Dilma Rousseff atravessou a campanha celebrando o Brasil de anúncio da Petrobras que Lula finge ter construído. O ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso fez de conta que nem participou do governo que mudou para muito melhor o país real.

Em vez de defender as privatizações que aumentaram a distância entre Brasil e as cavernas, preferiu acusar Dilma de ser menos estatizante do que parece. Em vez do Serra decidido a encerrar a Era da Mediocridade, apresentou-se ao eleitorado um certo Zé pronto para ocupar o lugar do Silva e aperfeiçoar a obra do presidente que estava, segundo o suposto adversário, "acima do bem e do mal". A adversária que todo candidato pede a Deus implorou pelo nocaute o tempo todo. O oponente fugiu ao combate e tentou ganhar encostado voluntariamente nas cordas.

Prisioneiro da falácia marqueteira segundo a qual eleitores preferem que participantes de um duelo troquem cobranças por arrulhos e interpelações por sonetos românticos, Serra desperdiçou incontáveis oportunidades de liquidar o duelo. As pesquisas de intenção de voto avisaram que questões vinculadas a valores morais e princípios éticos influenciariam a decisão do eleitor. Inibido pela paralisante estratégia do medo, inquieto com a possível exposição de pecados tucanos, Serra arriou a bandeira do combate à corrupção desfraldada no discurso em que se despediu do cargo de governador.

Açulada pela tibieza do oponente, a política aprendiz colocou na mesma categoria criminosa a confusa história protagonizada por Paulo Preto e escândalo medonho da Casa Civil estrelado por Erenice Guerra — o andor mais vistoso da procissão infame engrossada por estupradores de sigilo fiscal, fabricantes de dossiês cafajestes e governantes fora-da-lei. Tecnicamente, Serra perdeu para a sucessora escolhida por um presidente sem compromisso com a verdade, a legislação eleitoral e o Código Penal. Vistas as coisas de perto, Serra foi o grande algoz de si próprio. Não existem traidores a condenar. Não há responsabilidades a apurar.

"Ele nunca vai admitir isso", concordam 10 em cada 10 tucanos. "Se foi teimoso a vida inteira, não é agora que vai mudar. Ocorre que a paisagem brasileira mudou, e quem não se adaptar à guinada histórica não tem chances de salvação. As urnas de 2010 testemunharam o nascimento da oposição real. Difere da oposição oficial na cara, no ânimo, na alma. Tem um patrimônio superior a 40 milhões de votos e outros 20 milhões a conquistar. Tem as linhas gerais de um programa, como veremos em outro post. E tem um estadista, Fernando Henrique Cardoso, acumulando as funções de patriarca e ideológo.

Faltam líderes que efetivamente representem a oposição real., e não há vagas nesse grupo de elite para quem faz o que fez Serra na campanha de 2010. Falta um partido que se oponha ao governo antes e depois da eleição, livre-se dos delinquentes de estimação e não perca tempo com intrigas domésticas. O PSDB até pode transformar-se nesse porta-voz da resistência democrátrica. Por enquanto, não é.


Este texto me fez pensar, ainda mais aqui que costumamos ser algozes da trairagem aecista... mas meu foco ainda é "ah, como eu queria que a ocupação do Alemão fosse verdade!"

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Cabral, chama a tal "Força Nacional"

Do Augusto Nunes
http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/o-exercito-fantasma-de-lula-e-dilma-so-entra-em-combate-na-guerra-eleitoral/

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Ao longo da campanha eleitoral, Dilma Rousseff recitou a cada comício, debate ou entrevista que faltava pouco para que o sistema de segurança pública, a exemplo do que ocorreu na área da saúde, chegasse à perfeição. Graças ao padrinho, garantiu a afilhada, nem teria muita coisa a fazer depois de eleita. Nos últimos oito anos, a violência dos tempos de FHC foi progressivamente substituída pela paz da Era Lula. Ponto para o estadista que encarou a herança maldita.

No meio da discurseira, aparecia inevitavelmente o exemplo do Rio. Com a disseminação das Unidades de Polícia Pacificadora, as miraculosas UPPs, o companheiro Sérgio Cabral concluíra a façanha histórica iniciada pelo PAC e consolidada pela popularidade de Lula. Nem o mais insensato comandante do narcotráfico ousaria enfrentar os 80% do maior dos governantes desde Tomé de Souza.

Dado o aviso, Dilma sacava do coldre imaginário o trabuco com a bala de prata: se alguma facção do crime organizado tentasse conflagrar os morros cariocas, o Mestre não hesitaria em mobilizar a temível Força Nacional de Segurança Pública. Por que o exército medonho até hoje não foi visto em ação? "Porque o governo de São Paulo não quis", repete Lula desde 2006, quando a capital do Estado administrado pelo PSDB foi convulsionada por sangrentos ataques simultâneos do PCC.

Em campanha pela reeleição, Lula e Tarso Genro, ministro da Justiça e marechal da Força Nacional, baixaram em São Paulo para informar que poderiam sufocar a rebelião em quatro ou cinco horas. Bastava uma solicitação formal do governador. Pena que os tucanos paulistas tenham teimado em ignorar o bom exemplo dos companheiros cariocas, suspirava Lula antes que a violência no Rio recrudescesse com dimensões apavorantes. O segredo é a aliança entre os governos federal e estadual.

Até o começo da semana, o presidente e a sucessora sustentaram que o entendimento fraternal com o governador Cabral (sem contar a guarda pessoal do prefeito Eduardo Paes) era mais que suficiente para matar no nascedouro qualquer atrevimento esboçado pelos bandidos do narcotráfico. Nesta quinta-feira, dois telefonemas reduziram a farrapos outra fantasia do Brasil do faz-de-conta.

Depois de alguns dias de silêncio, Lula e Dilma ligaram para conversar com Sérgio Cabral sobre o drama que apavora o Rio e assombra o país. Nem o atual nem a futora presidente ofereceram a ajuda da Força Nacional. Ofereceram votos de solidariedade. O país inteiro descobriu que o exército fantasma do Planalto só entra em combate na guerra eleitoral.

Uma última interrogação intriga milhões de habitantes da zona conflagrada. O presidente autopromovido a Pacificador do Universo já se ofereceu para resolver a crise do Oriente Médio e para reaproximar o Irâ atômico do resto do mundo. O que é que há com Lula que não se oferece para acabar com a batalha do Rio?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

"Vamos ter que passar por isso, mas depois vai melhorar" - Então tá, né?

O Yahoo Notícias é mais lulista que a TV Brasil. Mas senti uma ironia - amarga - ao ler este trecho: http://br.noticias.yahoo.com/s/25112010/83/bandidos-continuam-realizar-ataques-no-rio.html

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<em>Em Botafogo, um carro foi incendiado na Rua Jornalista Orlando Dantas. Por volta de 1h, dois rapazes atearam fogo num Clio Sedan que estava estacionado. O proprietário do veículo, o empresário Marcondes Valois, 45 anos, disse na delegacia que estava dormindo, e acordou com o barulho da explosão:

- Liguei para a portaria e disseram que tinha um carro pegando fogo. Quando desci, vi que era o meu. Comprei o carro há dez dias, e não estava no seguro.

O empresário revelou que há dois anos sofreu assalto na Linha Amarela. Na ocasião, foi baleado no braço esquerdo. Ele falou sobre a sensação de insegurança na cidade:

- É uma sensação de pés e mãos atados. Não temos o que fazer, está fora de controle. É o remédio amargo que teremos que tomar. E o meu está sendo ainda mais amargo. Vamos ter que passar por isso, mas depois vai melhorar. O trabalho que a PM está fazendo (UPPs) é para melhorar. E vai melhorar - disse Marcondes, se referindo às instalações de Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs).</em>

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"E vai melhorar" - Então tá, né? Hum... ele já foi assaltado, baleado, tem um carro zero sem seguro incendiado (mesmo que estivesse, segurados não cobrem tumulto civil) e ainda acredita que as tais UPPs vão resolver? Amigo, não resolveu há dois anos que você sofre feito um cão na mão da bandidagem, vai resolver agora?

"Vamos ter que passar por isso, mas depois vai melhorar" - Acho que ele fez uma analogia com a quimioterapia, que detona o paciente para o curar do câncer. Infelizmente, aumento na violência não é sinal da cura, mas do alastramento do câncer.

Valois, Valois, Valois! Os bandidos dão uma de Carlos IX com você e ainda acha que sistema está funcionando?

Celebrar com a desgraça é coisa de petralha!

Pobre população carioca! Pobre! Estão pagando um preço amargo por crer nas doces ilusões de Cabral e Dilma.

Quem se delicia com desgraça alheia é o PT. Se fosse em São Paulo, estariam celebrando. Como celebraram - que o diga Lula na sua entrevista recentes aos áulicos da esgotosfera - que o acidente da TAM em Congonhas não foi responsabilidade direta do governo. Indireta foi, se houvesse mais segurança naquele aeroporto ou se houvesse um aeroporto mais decente para a primeira cidade do Brasil.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Pobres cariocas, longe de Deus, perto do Cabral

Deu-me um peso na consciência pela frase final do post anterior. Quando o PCC aterrorizou São Paulo pelos interesses do PT, muito petralha também pensou: "bem feito para os paulistas, quem mandou votarem em tucanos!". Mea culpa, leitores, por ter repetido pensamento bovino semelhante!

A diferença é que em São Paulo bandido é preso. Este negócio de UPP do Sérgio Cabral é história da carochinha.

A cláusula que Cabral se esqueceu

Sérgio Cabral deve ter se esquecido de cumprir alguma cláusula no seu contrato com seus apoiadores para sua brilhante reeleição em primeiro turno. Alguma coisa ele não entregou e está sendo cobrada pelos donos do Rio.

A população carioca sofre... mas por outro lado, eles votaram nele, não é?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Mercado aéreo: A questão que não aterriza

Quem tem estômago, leia a entrevista do presidente da TAM reclamando da falta de infraestrutura:

http://web.infomoney.com.br//templates/news/view.asp?codigo=1991761&path=/investimentos/

O caro Bologna taxia a questão, circula o VOR e não aterriza. De quem é a culpa? Do governo. O potentado Tâmico dá um belo diatribe retórico e evita colocar o dedo na ferida. Também, as Cias. Aéreas tem de se ajoelhar para Dilmas e Erenices, muitas cobras gestadas na Anac. Volta e meia tem de se ajoelhar também na justiça (ainda que moral), quando seus aviões transformam-se em piras funerárias.

De quem é a culpa do gargalo de Infra? Do governo, ora bolas! E de educação? Haddad e o terceiro Enem queimado com a palavra... Mas vai um empresário hoje em dia dizer isto, ainda mais de Cia. Aérea.

Em tempo, demanda alta e baixa oferta, apenas gerarão aumento nas tarifas.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Preparando-se para a censura

Lembram-se quando os jornais censurados publicavam receita e poesia?

Querendo arrumar confusão com um eleitor da Dilma, enviei uma recriminação à política inflacionária que D. Dilmão quer implantar.

Ele respondeu comentando sobre as obras de Aleijadinho. Tudo bem, eu gosto mesmo. Mas que lembrou a censura, lembrou.

Ele está se preparando bem para os tempos que hão de vir.